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Agentic AI: a próxima evolução da colaboração entre humanos e tecnologia

Nesta edição de Innovation Stories, destacamos a LOAD, empresa especializada em engenharia de software e inovação tecnológica, que tem acompanhado de perto a evolução da Inteligência Artificial e dos sistemas autónomos.

À conversa com Davide Ricardo, COO da LOAD, explorámos temas como Agentic AI, automação inteligente, qualidade dos dados, governação tecnológica e os principais desafios que as organizações enfrentam na implementação de soluções de IA.

À medida que os agentes inteligentes se tornam mais autónomos e capazes de executar tarefas complexas, as empresas enfrentam uma nova oportunidade: utilizar a Inteligência Artificial não apenas como ferramenta de apoio, mas como um verdadeiro parceiro na criação de valor, inovação e eficiência operacional.

 

Entrevista a: Davide Ricardo, COO| LOAD

 

Podes apresentar brevemente a LOAD, as principais áreas em que atua e os setores que apoia através das suas soluções tecnológicas?

R: A LOAD é um Software Engineering Studio onde convertemos visão estratégica em produtos digitais. A nossa forma de trabalhar divide-se em três grandes fases: Discover (para redução de incerteza técnica e estratégia de produto), Design & Build (desenvolvimento de UI/UX, arquitetura e engenharia end-to-end) e Launch & Evolve (crescimento sustentável e governação do produto). Por outro lado, temos uma vertente muito forte — e que é o nosso grande motor de inovação — de Research & Development (R&D), onde investigamos e exploramos ativamente o limite de tecnologias emergentes, como a Inteligência Artificial, Blockchain e Cibersegurança. É este esforço contínuo em R&D que nos permite conceber e testar sistemas. Apoiamos setores diversificados, desde a saúde (com certificações SaMD), à mobilidade, distribuição farmacêutica, seguros e smart cities, trabalhando com marcas como a Ageas, Ascendi, Bayer e Rangel.

 

Recentemente assistimos ao IDEA, promovido pela LOAD. O que é esta iniciativa e que necessidades do mercado motivaram a sua criação?

R:  O IDEA (Innovation, Design, Engineering, Aveiro) nasceu do nosso desejo profundo de fomentar e fortalecer uma verdadeira comunidade tecnológica em Aveiro – uma cidade com excelentes players e um histórico notável em tecnologias de informação. Sentimos que faltava um espaço físico para uma partilha constante sobre tecnologia, não só de “makers para makers” (quem a desenvolve), mas também para os gestores e decisores que idealizam e procuram soluções digitais para os seus negócios. O nosso objetivo é gerar awareness tecnológico para as empresas que precisam de inovar mas não sabem qual o caminho a seguir. Queremos que a comunidade cresça de forma orgânica e colaborativa, promovendo dois eventos anuais. Acreditamos que só juntos, e em constante partilha, conseguimos criar algo com verdadeiro impacto.

 

De que forma o IDEA contribui para acelerar a adoção de Inteligência Artificial pelas organizações de forma prática, segura e escalável?

R: Ao juntar especialistas técnicos, académicos e até líderes de negócios, a primeira edição do IDEA desmistifica a IA. Ao invés de falarmos de IA como um conceito abstrato, trazemos casos práticos, abordamos a arquitetura de software, e discutimos abertamente os desafios de segurança, responsabilidade e escalabilidade. O facto de termos no IDEA pessoas a partilhar como integram IA no seu dia a dia ajuda as organizações a perderem o receio e a perceberem, de forma pragmática, como podem adotar estas tecnologias em conformidade com as boas práticas.

 

Que publico reuniram e qual o impacto deste evento?

R: O público que reunimos nesta edição foi exatamente o que pretendíamos: os makers (developers, designers, tech founders) e os perfis de negócio e gestão. O impacto principal foi a criação de uma ponte entre o conhecimento técnico e a aplicabilidade empresarial. Tivemos pessoas que gerem unidades de negócio que vieram perceber se a tecnologia que se está a desenvolver vai ao encontro do que pretendem fazer no futuro, e se aquilo que ouviram no evento podia ser rapidamente explorado nos seus próprios espaços. Sentimos que as pessoas saíram mais ricas de informação e com ideias validadas.

 

Dentro da vossa experiência e conhecimento do mercado, quais são os principais desafios que as empresas enfrentam atualmente quando procuram implementar soluções de IA nos seus processos e operações?

R: O desafio número um é a qualidade e a estrutura dos dados. A IA não faz magia se a infraestrutura de dados da empresa estiver desorganizada. O segundo desafio é estratégico: encontrar o “Use Case” certo. Muitas empresas querem implementar IA porque é o tema do momento, em vez de procurarem aplicar a tecnologia para resolver ineficiências reais com um claro retorno sobre o investimento (ROI). Por fim, o desafio humano: a gestão da mudança, a literacia tecnológica dentro das equipas e a necessidade de ultrapassar o medo da substituição, promovendo antes uma cultura de colaboração humano-máquina.

 

Muito se fala atualmente em Agentic AI. Para quem não está familiarizado com o conceito, o que distingue um agente de IA de um assistente tradicional?

R: A grande diferença reside na autonomia e proatividade. Um assistente de IA tradicional é reativo: espera por uma instrução (um prompt) e dá uma resposta com base nisso. Por outro lado, a Agentic AI (IA Agêntica) é orientada a objetivos. Se definirmos um objetivo final para um Agente de IA, ele é capaz de criar um plano, dividir a tarefa em várias etapas, usar ferramentas externas (como bases de dados ou software de gestão), tomar decisões ao longo do percurso e corrigir os seus próprios erros até concluir a missão, com o mínimo de intervenção humana.

 

A LOAD tem vindo a acompanhar de perto esta evolução tecnológica. Que experiência e projetos destacariam nesta área?

R: Na LOAD, a nossa experiência com inteligência artificial reflete-se em duas grandes frentes. Por um lado, integramos constantemente modelos de inteligência nos produtos bespoke (à medida) que desenvolvemos para os nossos clientes corporativos, automatizando processos abrangendo também segurança e governança. Por outro lado, a nossa área de Research & Development (R&D) serve como laboratório para dominar as tecnologias de ponta. Mais do que detalhar o contexto de cada projeto, destacaria as competências tecnológicas que temos vindo a consolidar em três áreas distintas:
– Sistemas Autónomos e Edge Computing: temos aprofundado a integração de IA com IoT e redes 5G. O nosso foco aqui é a capacidade de processar dados físicos e detetar anomalias em tempo real, diretamente no dispositivo (edge).
– Visão por Computador e Fusão de Dados: a nossa engenharia foca-se na construção de arquiteturas capazes de processar dados de sensores e visão computacional (neste caso, para análise biomecânica). Desenvolvemos know-how em modelação de requisitos complexos e na criação de interfaces que traduzem toda essa inteligência em indicadores visuais claros.
– Segurança e UX/UI para Sistemas Críticos: a nossa plataforma de cibersegurança, as nossas competências centram-se na orquestração de deteção inteligente de ameaças e arquiteturas escaláveis. É também um desafio tecnológico o transformar dados técnicos densos e fluxos de segurança críticos em dashboards intuitivos e acionáveis.

 

Em medida que os agentes inteligentes se tornam mais autónomos e capazes, como antecipam a evolução da colaboração entre humanos e IA no contexto empresarial?

R: Tal como referimos na última edição do IDEA, vemos a IA a assumir o papel de “Colega de Equipa”. O Agente Inteligente ficará responsável pelas tarefas morosas, pela compilação de dados complexos e pela execução mecânica de processos. Por sua vez, o papel do humano evoluirá de operador para orquestrador e curador. Passaremos de “Human-in-the-loop” para “Human-on-the-loop”, onde o foco do ser humano estará na empatia, no pensamento criativo, na estratégia de negócio e na supervisão ética das decisões da IA.

 

Que oportunidades acreditam que a Agentic AI pode trazer para as empresas nos próximos anos?

R: As oportunidades são transformadoras, focando-se na eficiência operacional e na hiper-personalização. A capacidade de ter agentes a operar autonomamente 24/7 vai permitir às empresas automatizar processos inteiros – desde cadeias de fornecimento dinâmicas até resolução autónoma de problemas de serviço ao cliente de ponta a ponta. Isto libertará talento humano para a inovação pura e permitirá às organizações escalarem as suas operações sem que isso signifique um aumento linear dos custos.

 

Existem setores ou áreas de negócio onde já é possível observar impactos particularmente relevantes desta tecnologia?

R: Sim, em várias frentes. No desenvolvimento de software propriamente dito, já temos agentes a ajudar a auditar e a escrever código. No apoio ao cliente, já não falamos de simples chatbots de FAQs, mas sim de agentes que resolvem o problema transacional do cliente. Observamos também um forte impacto na logística (otimização de rotas e gestão de armazéns em tempo real), na saúde (triagem inicial de dados) e nos serviços financeiros (onde a análise de risco, compliance e deteção de fraudes estão a tornar-se altamente autónomas).

 

Na vossa perspetiva, quais serão as principais tendências em Inteligência Artificial e Agentic AI que as organizações devem acompanhar nos próximos 2 a 3 anos?

R:  Três grandes tendências: primeiro, a evolução para Sistemas Multi-Agente, ou seja, diferentes agentes de IA a cooperarem e a comunicarem entre si para resolver problemas altamente complexos de forma descentralizada. Segundo, a Edge AI, que permite processamento local e rápido, sendo crucial para setores onde a baixa latência e a privacidade de dados (não depender da nuvem) são obrigatórios, como a saúde e a indústria pesada. Por fim, uma tendência mandatória será a adaptação em torno da Governança e Ética em IA, com o rigor da conformidade regulatória (como o EU AI Act).

 

Davide, qual a principal mensagem que gostarias de deixar às empresas que estão a iniciar ou a acelerar a sua jornada de adoção de IA?

R: A minha principal mensagem é: comecem pelo problema do negócio, não pela tecnologia. Identifiquem primeiro os vossos estrangulamentos ou oportunidades reais e só depois perguntem como a tecnologia vos pode ajudar a chegar mais longe. Comecem pequeno para validar as ideias, arrumem as vossas bases de dados, percam o medo da mudança e, acima de tudo, encontrem os parceiros certos. Aproximem-se de comunidades (como o IDEA) onde a partilha de erros e sucessos de quem já está no terreno vos possa dar a segurança e a tração de que precisam para inovar de forma consistente.

 

Nota final

Consulte mais informação sobre a LOAD aqui: https://load.digital/

Conclusão

A evolução da Inteligência Artificial está a abrir novas oportunidades para aumentar a eficiência, apoiar a tomada de decisão e impulsionar a inovação nas organizações. Contudo, o verdadeiro desafio continua a ser transformar o potencial tecnológico em valor real para o negócio.

Como refere Davide Ricardo, o caminho passa por começar pelos problemas concretos, investir em dados de qualidade e promover uma colaboração cada vez mais inteligente entre pessoas e tecnologia. Num contexto de rápida evolução da Agentic AI, as organizações que conseguirem transformar experimentação em adoção estratégica estarão melhor posicionadas para inovar, ganhar eficiência e reforçar a sua competitividade.