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Nesta edição de Innovation Stories, damos a conhecer a EVOX Technologies, uma empresa portuguesa que está a transformar a forma como os territórios podem ser monitorizados e geridos através da tecnologia, dos dados e da Inteligência Artificial.

Em parceria com a Veolia, a EVOX está a aplicar Inteligência Artificial à gestão de resíduos urbanos, transformando as próprias operações de recolha numa verdadeira rede móvel de monitorização do território. Através da combinação de câmaras inteligentes, sensores IoT, georreferenciação e algoritmos de IA, a solução permite identificar ocorrências, reconhecer padrões, antecipar necessidades e apoiar decisões operacionais com base em dados e evidências.

Mais do que identificar resíduos, esta tecnologia está a revelar novas possibilidades para a gestão dos territórios, desde a otimização das operações e dos recursos até à monitorização do espaço público e à identificação de oportunidades de melhoria.

Nesta conversa, falamos com Hélio Silva, CEO da EVOX Technologies, e Ana Sousa, Responsável de Contrato da Veolia em Aveiro, sobre o desenvolvimento desta solução, os desafios da sua implementação e o potencial da Inteligência Artificial para tornar as operações urbanas mais eficientes, preditivas e sustentáveis.

À conversa com Hélio Silva | CEO da EVOX Technologies

Hélio, podes apresentar brevemente a EVOX e as principais áreas de atuação da empresa?

R: A EVOX Technologies é uma empresa portuguesa especializada no desenvolvimento de soluções tecnológicas para a gestão ambiental, resíduos, água e operações urbanas. Desenvolvemos software cloud, sistemas IoT, telemetria, controlo de acessos, inteligência artificial e soluções de monitorização operacional que ajudam entidades públicas e privadas a digitalizar processos, aumentar a eficiência e tomar decisões baseadas em dados.

Ao longo dos últimos anos temos vindo a trabalhar com alguns dos principais operadores ambientais nacionais e internacionais, contribuindo para a transformação digital do setor através da integração entre equipamentos no terreno, plataformas de gestão e tecnologias avançadas de análise de dados.

Recentemente conhecemos uma nova abordagem tecnológica que a EVOX está a desenvolver, que permite fazer um acompanhamento e gestão rigorosos de resíduos urbanos, gerar dados, rentabilizar tempo e suportar decisões. Em que consiste esta tecnologia e que desafios pretende resolver?

R: A solução combina câmaras inteligentes instaladas nas viaturas de recolha, sensores IoT, georreferenciação e algoritmos de Inteligência Artificial capazes de analisar automaticamente o ambiente urbano durante as operações de recolha de resíduos.

O objetivo é resolver um problema muito comum nas cidades: a dificuldade em identificar, registar e tratar de forma sistemática incidentes que ocorrem diariamente no espaço público. Situações como contentores sobrelotados, deposições indevidas, contentores danificados, obstáculos à recolha ou outras anomalias são frequentemente reportadas de forma manual, consumindo tempo e recursos.

Através desta tecnologia, as próprias operações de recolha passam a funcionar como uma rede móvel de monitorização urbana, permitindo recolher informação em tempo real sem necessidade de recursos adicionais no terreno.

De que forma a Inteligência Artificial é utilizada nesta solução para apoiar a deteção de incidentes, a monitorização da operação e a tomada de decisão?

R: A Inteligência Artificial desempenha um papel central na solução. Os algoritmos analisam automaticamente as imagens captadas pelas câmaras instaladas nas viaturas e identificam diferentes tipos de ocorrências previamente treinadas.

Sempre que é detetado um incidente, o sistema associa automaticamente informação como localização GPS, data, hora, tipo de ocorrência e evidência fotográfica. Esta informação é depois integrada numa plataforma central onde pode ser validada, analisada e transformada em indicadores operacionais.

Desta forma, reduz-se significativamente a necessidade de análise manual e aumenta-se a capacidade de resposta das equipas operacionais e dos gestores.

Que tipo de dados são recolhidos e podem ser analisados e como são transformados em informação útil para apoiar a gestão de resíduos e a deteção de incidentes?

R: A solução recolhe diferentes tipos de informação, incluindo imagens, localização geográfica, percursos das viaturas, tempos operacionais e eventos identificados pelos algoritmos de IA.

Estes dados são processados e organizados numa plataforma que permite visualizar mapas de ocorrências, identificar padrões de comportamento, localizar zonas críticas e acompanhar indicadores de desempenho operacional.

O resultado é a transformação de grandes volumes de dados dispersos em informação acionável que apoia decisões mais rápidas e mais fundamentadas.

Quais foram os principais desafios tecnológicos encontrados durante o desenvolvimento e implementação desta solução?

R: Um dos maiores desafios foi garantir que os algoritmos conseguem operar com elevada fiabilidade em ambientes urbanos complexos e muito variáveis.

As condições de iluminação, meteorologia, tráfego, posicionamento dos contentores e diversidade dos cenários exigem um processo contínuo de treino e otimização dos modelos de Inteligência Artificial.

Outro desafio importante foi conseguir executar parte deste processamento diretamente nas viaturas, reduzindo a necessidade de transmissão de grandes volumes de dados e permitindo respostas mais rápidas e eficientes

Como surgiu a colaboração com a Veolia e que objetivos comuns procuraram alcançar através deste projeto?

R: A colaboração surgiu da vontade conjunta de explorar novas formas de utilizar tecnologia avançada para aumentar a eficiência operacional e melhorar a qualidade do serviço prestado aos cidadãos.

A Veolia tem demonstrado uma forte aposta na inovação e na transformação digital das operações ambientais, partilhando connosco a visão de que a recolha de resíduos pode ser muito mais do que uma atividade logística.

O objetivo comum foi testar e validar uma solução capaz de gerar informação operacional de elevado valor acrescentado sem criar carga adicional para as equipas no terreno.

Qual o impacto que esta tecnologia pode ter na gestão dos territórios, na eficiência operacional e na sustentabilidade ambiental?

R: O impacto potencial é muito significativo.

Ao permitir uma deteção mais rápida e sistemática de problemas, a solução contribui para uma utilização mais eficiente dos recursos disponíveis, reduz deslocações desnecessárias e melhora a capacidade de planeamento das operações.

Ao mesmo tempo, ajuda as entidades gestoras a manter os espaços urbanos em melhores condições, promovendo uma maior qualidade de vida para os cidadãos e uma utilização mais sustentável dos recursos públicos.

Que potencial identificam para a evolução desta solução e para a sua aplicação noutros contextos ou setores de atividade?

R: O potencial é muito amplo.

Embora tenha sido inicialmente desenvolvida para a gestão de resíduos urbanos, a tecnologia pode ser adaptada para outras áreas como limpeza urbana, manutenção de infraestruturas, gestão de espaços públicos, água, energia ou monitorização ambiental.

À medida que os modelos de Inteligência Artificial evoluem, torna-se possível identificar novos tipos de eventos e disponibilizar informação cada vez mais rica aos decisores.

A solução permite transformar operações tradicionalmente reativas em operações mais preditivas. Como veem esta evolução e que impacto pode ter na gestão das cidades do futuro?

R: Acreditamos que esta é uma das grandes transformações que veremos acontecer nos próximos anos.

Historicamente, muitas operações urbanas funcionam de forma reativa, respondendo a problemas apenas depois de estes serem reportados. Com a combinação de sensores, Inteligência Artificial e análise de dados, torna-se possível antecipar situações, identificar tendências e agir antes que os problemas tenham impacto significativo.

As cidades do futuro serão cada vez mais orientadas por dados em tempo real, permitindo uma gestão mais eficiente, sustentável e próxima das necessidades dos cidadãos. A nossa visão é precisamente contribuir para essa transição, transformando informação recolhida diariamente no terreno em conhecimento útil para apoiar decisões mais inteligentes.

 

À conversa com Ana Sousa | Responsável de Contrato VEOLIA em Av

Ana, pode apresentar brevemente o seu papel na Veolia e o enquadramento deste projeto dentro da estratégia da empresa?

R: Sou responsável pelo contrato da Veolia em Aveiro, na área da gestão dos resíduos urbanos, e acompanho diretamente esta parceria com a EVOX. O projeto surgiu de um desafio lançado pela EVOX, com quem já colaboramos noutras áreas, como a gestão de resíduos industriais, no sentido de explorar o potencial da Inteligência Artificial aplicada à recolha destes resíduos urbanos.

A Veolia é uma multinacional francesa presente em Portugal há cerca de 35 anos, especialista em serviços ambientais, ou seja, especializada em soluções de gestão de água, resíduos e energia, tendo em vista reforçar a eficiência operacional e a sustentabilidade. Acreditamos que a água, os resíduos e a energia, quando geridas de forma integrada e exponenciadas pela inovação criar operações mais eficientes e sustentáveis.

“Sendo a Veolia uma empresa que gosta de desafios, de ideias novas, inovação e trabalhar para atingir os melhores resultados, acreditamos que a inovação só acontece quando estamos dispostos a experimentar novas abordagens e a desafiar a forma como fazemos as coisas.”

Foi precisamente essa visão que nos levou a abraçar este projeto desde o primeiro momento.

Que necessidades operacionais ou desafios levaram a Veolia a procurar uma solução deste tipo?

R: Mais do que responder a uma necessidade específica, este projeto nasceu da vontade de conhecer melhor a realidade do território e de perceber como a tecnologia pode      ajudar-nos a otimizar      a operação.

Esta plataforma de inteligência artificial não identifica apenas monos e verdes (resíduos de jardins, podas, etc), consegue sobretudo otimizar circuitos e permite antecipar necessidades e desafios. À primeira vista parece que é apenas uma câmara, mas na verdade é como se fossem os “nossos olhos a observar atentamente a rua” e com capacidades de observação e interpretação muito exponenciadas.

Rapidamente percebemos que a Inteligência Artificial ia muito além da monitorização dos resíduos. Hoje conseguimos identificar deposições indevidas, estado da limpeza urbana, aspeto visual, ruas degradadas, padrões de produção de resíduos e compreender melhor as características de cada localidade. Essa informação permite-nos adaptar a operação às necessidades concretas de cada município, porque cada território tem desafios diferentes.

“Muitas pessoas ainda pensam que esta solução de      Inteligência Artificial serve apenas para identificar resíduos. Na realidade, consegue dar-nos uma visão muito mais abrangente do território e gerar informação extremamente valiosa para a gestão operacional.”

Que impacto tem tido esta tecnologia na operação e que benefícios destacaria até ao momento e qual foi o momento em que perceberam que esta tecnologia poderia gerar valor real para a operação?

R: Primeiro esta tecnologia e plataforma desafia-nos e há uma constante sugestão de ideias, identificação de desafios e sugestão de otimizações entre a Veolia e a EVOX.

Quando gerimos os resíduos de um município é impossível estarmos presencialmente em todo o lado a toda a hora. Mas o conhecimento que esta plataforma gera, permite-nos uma gestão mais transversal, mesmo que remotamente, e um grande poder de antecipação.

Assim, um dos maiores impactos tem sido a qualidade da informação que passámos a ter disponível. Os dados são objetivos, sustentados por evidências e permitem-nos tomar decisões com muito mais confiança.

À medida que o projeto evoluiu, percebemos que a tecnologia conseguia responder a desafios que inicialmente nem tínhamos previsto. Hoje conseguimos identificar padrões, localizar zonas críticas, compreender melhor o comportamento de           resíduos e antecipar necessidades operacionais.

“Os dados são verdadeiros e falam por si, mostrando gráficos e evidências. Quando temos informação sustentada por evidências, conseguimos tomar decisões mais informadas e melhorar continuamente a nossa operação.

Este projeto merece ser apresentado ao País. A IA não vê só verdes e monos, vê zonas críticas e não críticas, várias tipologias de resíduos nas localidades e antevê várias necessidades e o que podemos fazer para colmatar determinados comportamentos, de forma responsável e segura, garantindo a proteção de dados e privacidade.”

Foi aí que percebemos que esta solução é mais do que uma ferramenta tecnológica: é um verdadeiro apoio à decisão.

De que forma a utilização de dados e Inteligência Artificial está a transformar a gestão de resíduos e a eficiência operacional do setor?

R: Os dados permitem-nos conhecer melhor cada território e adequar a operação à realidade de cada zona. Se identificarmos que determinada rua apresenta frequentemente um tipo específico de resíduos, conseguimos atuar de forma direcionada, quer através da otimização dos circuitos de recolha, quer através de ações de sensibilização junto da população.

Esta informação permite também desenvolver projetos-piloto, melhorar o planeamento operacional e apoiar decisões mais fundamentadas.

“O grande valor desta tecnologia está em permitir-nos antecipar necessidades. Deixamos de atuar apenas quando o problema acontece e passamos a gerir a operação com base em evidência.”

No fundo, permite-nos deixar de reagir aos problemas para começarmos a antecipá-los, tornando toda a operação mais eficiente, sensibilizar de acordo com os cidadãos que vivem em determinada localidade.

Como avalia a colaboração entre a Veolia e a EVOX ao longo deste projeto e qual a importância deste tipo de parcerias para acelerar a inovação?

R:  A colaboração tem sido extremamente positiva. Desde o início que existe uma relação de verdadeira parceria, em que ambas as equipas partilham conhecimento, lançam novos desafios e procuram continuamente fazer evoluir a solução.

“Esta parceria tem sido espetacular, tem corrido muito bem e tem sido um verdadeiro processo de cocriação. A EVOX desafia-nos e nós desafiamos a EVOX, e é precisamente dessa troca que nasce a inovação. Em cada reunião já sugerem acrescentar mais tópicos.”

Os municípios são diferentes, a realidade dos mesmos nunca é a mesma. A plataforma permite também estudar as cidades e o seu urbanismo, arquitetura estrutural e paisagística. As viaturas filmam o estado da cidade, acompanhando de forma constante o território e gerando informação-chave sobre ele. Foi essa dinâmica que permitiu perceber que esta tecnologia tem potencial para apoiar muito mais do que a gestão de resíduos, podendo apoiar áreas como o urbanismo, os espaços verdes, a manutenção das infraestruturas ou a gestão do espaço público.

Sabemos que esta solução é aplicada na Região de Aveiro. Perspetivam a possibilidade de expandir esta solução para outros territórios ou operações? Que potencial identificam para a sua escalabilidade?

R: Sem dúvida. Consideramos Aveiro um excelente projeto-piloto, mas acreditamos que esta solução pode ser facilmente adaptada a outras cidades do P     aís, respeitando naturalmente as especificidades de cada território.

O objetivo passa por equipar progressivamente mais viaturas com esta tecnologia e alargar a sua aplicação a diferentes áreas da operação. Para além da monitorização dos resíduos urbanos, a Inteligência Artificial pode contribuir para otimizar rotas, reduzir custos logísticos, melhorar a utilização dos recursos e apoiar uma gestão cada vez mais eficiente.

“Aveiro é um excelente projeto-piloto e demonstra que esta solução pode ser facilmente adaptada a outras cidades, respeitando sempre as características específicas de cada território.”

Se apresentarmos os dados resultantes deste projeto a qualquer entidade com responsabilidades de gestão municipal , conseguirá facilmente      perceber a mais-valia da solução, sobretudo para a gestão municipal, apoiando efetivamente de forma preventiva a gestão dos territórios e      a tomada de decisões.

Para além da eficiência operacional, que impacto pode este tipo de tecnologia ter na qualidade do serviço prestado aos cidadãos e na sustentabilidade dos territórios?

R: Esta tecnologia beneficia não apenas os operadores, mas também os municípios e os próprios cidadãos dando a conhecer o que produzem e fazem. E conhecimento é o que nos permite gerar uma literacia para a sustentabilidade fundamental para a saúde, bem estar e qualidade de vida nas cidades.

É uma ferramenta que é uma mais valia para quem é responsável pela prestação de serviços, mas também para quem confiou essa prestação, pois permite avaliar a eficácia da entidade gestora na prestação dos serviços, identificar oportunidades de melhoria e promover uma gestão mais transparente.

Ao mesmo tempo, facilita o desenvolvimento de campanhas de sensibilização mais direcionadas e contribui para territórios mais limpos, sustentáveis e melhor geridos.

“A transparência transmite confiança e segurança. Se não estivéssemos preparados para trabalhar de forma transparente, dificilmente apostaríamos numa ferramenta como esta.”

Quando trabalhamos com informação objetiva, torna-se mais fácil identificar oportunidades de melhoria, reforçar a confiança entre todos os intervenientes e prestar um serviço cada vez melhor aos cidadãos.

Este projeto demonstra como a colaboração entre empresas tecnológicas e operacionais pode acelerar a inovação. Que fatores consideram essenciais para transformar uma necessidade operacional numa solução com impacto real no terreno?

Evox: Acreditamos que o fator mais importante é compreender profundamente a realidade operacional antes de desenvolver qualquer tecnologia.

A inovação com impacto não nasce apenas da tecnologia; nasce da proximidade aos utilizadores, da capacidade de identificar problemas concretos e de validar continuamente as soluções em contexto real. Neste projeto, a colaboração entre a EVOX e a Veolia permitiu combinar conhecimento tecnológico com experiência operacional, garantindo que a solução responde efetivamente às necessidades do terreno.

Outro fator essencial é a capacidade de testar, medir resultados e evoluir rapidamente. As organizações que conseguem criar ciclos curtos de aprendizagem entre operação e tecnologia são aquelas que conseguem transformar desafios complexos em soluções com valor real e sustentável.

No final, a tecnologia só cria impacto quando é simples de utilizar, gera confiança nas equipas e contribui para melhorar a tomada de decisão.

Veolia:

A tecnologia merece ser conhecida e dá-nos a oportunidade de sermos eficientes. É fundamental conhecer profundamente a realidade do terreno, compreender os desafios do dia a dia e envolver quem trabalha diariamente na operação.

Só esse conhecimento permite identificar e orientar o desenvolvimento de soluções tecnológicas que respondam a necessidades concretas.

“As câmaras de Inteligência Artificial não substituem      as pessoas, mas aumentam as suas capacidades     . A tecnologia e o conhecimento operacional têm de caminhar lado a lado, porque uma sem a outra dificilmente gera verdadeiro valor.”

É precisamente esta combinação entre experiência operacional e inovação tecnológica que permite criar soluções com impacto real, sustentável e escalável.

Mensagem Final 

EVOX – Hélio, que mensagem gostarias de deixar às organizações que estão a explorar a utilização de Inteligência Artificial para responder a desafios operacionais e de sustentabilidade?

R:  A Inteligência Artificial não deve ser encarada como um objetivo em si mesma, mas como uma ferramenta para resolver problemas concretos.

As organizações que obtêm melhores resultados são aquelas que começam por identificar claramente os desafios operacionais que pretendem resolver e só depois escolhem a tecnologia adequada. A IA tem um enorme potencial para aumentar a eficiência, melhorar a sustentabilidade e apoiar decisões mais inteligentes, mas o seu verdadeiro valor surge quando está integrada nos processos e gera resultados mensuráveis.

Vivemos um momento único em que é possível transformar operações do dia a dia em fontes contínuas de conhecimento e melhoria. O nosso conselho é simples: comecem por pequenos projetos com objetivos claros, validem resultados rapidamente e construam a partir daí. A inovação acontece quando a tecnologia deixa de ser uma promessa e passa a gerar impacto real nas pessoas, nas organizações e nos territórios.

Veolia – Ana, que mensagem gostariam de deixar às organizações que procuram utilizar a tecnologia e a inovação para responder a desafios operacionais, ambientais e de sustentabilidade?

R: Diria que é importante olhar para a Inteligência Artificial sem preconceitos. Muitas vezes existe a ideia de que estas soluções têm aplicações muito limitadas, quando, na realidade, podem ser configuradas para responder a desafios muito diversos.

“Costumo dizer que esta tecnologia é ‘um olho que não se vê’. Ajuda-nos a observar melhor o território, compreender padrões e tomar decisões mais informadas.”

O mais importante é conhecer bem a realidade operacional e utilizar a tecnologia para apoiar decisões, melhorar processos e antecipar problemas. Quando conseguimos equilibrar o conhecimento humano com a inovação tecnológica, aumentamos a eficiência, reforçamos a transparência e criamos operações mais sustentáveis.

“A Inteligência Artificial não substitui as pessoas; potencia a capacidade de quem conhece verdadeiramente o terreno para decidir melhor e agir mais rapidamente.”

Imagens visíveis através da tecnologia

Nota final

Consulte mais informação sobre a EVOX aqui: https://evox.pt/ e sobre a Veolia aqui: https://www.veolia.pt/sobre-nos/veolia-em-portugal/veolia-em-aveiro

Conclusão

A história da EVOX e da Veolia demonstra que a inovação tecnológica ganha verdadeiro valor quando nasce de um desafio concreto e é desenvolvida em estreita ligação com quem conhece o terreno.

Neste projeto, a Inteligência Artificial deixa de ser apenas uma tecnologia de análise e passa a assumir um papel ativo na transformação das operações: recolhe e interpreta informação, identifica padrões, antecipa necessidades e transforma dados dispersos em conhecimento útil para a tomada de decisão.

Ao mesmo tempo, a parceria evidencia que a inovação não acontece de forma isolada. A combinação entre o conhecimento tecnológico da EVOX e a experiência operacional da Veolia permitiu testar, validar e evoluir a solução em contexto real, abrindo caminho a novas aplicações para além da gestão de resíduos.

Da monitorização à antecipação, dos dados à decisão, este projeto mostra como a Inteligência Artificial pode contribuir para territórios mais eficientes, sustentáveis e preparados para responder aos desafios do futuro.

E talvez seja essa a principal lição desta Innovation Story: a tecnologia não substitui o conhecimento humano, quando bem aplicada, amplia-o e transforma-o em capacidade de agir melhor e mais cedo.