Nesta edição de Innovation Stories, damos a conhecer a N.0 Tecnologia, empresa que desenvolve soluções de Inteligência Artificial aplicada para acelerar a transformação digital das organizações, através da integração de tecnologias como Digital Twins, Visão Computacional, IoT e Machine Learning.
À conversa com João Luiz Vilar, CEO da N.0 Tecnologia, explorámos a forma como estas tecnologias estão a redefinir a indústria, permitindo operações mais inteligentes, conectadas e orientadas por dados, bem como a visão da empresa para a próxima geração de sistemas inteligentes impulsionados por Agentic AI.

Entrevista a: João Luiz Vilar, CEO| N.0 Tecnologia
João, podes apresentar brevemente a N.0, as principais áreas de atuação da empresa e a missão que orienta o desenvolvimento das vossas soluções?
R: A N.0 Tecnologia é uma empresa especializada em Inteligência Artificial aplicada, com atuação em áreas como Visão Computacional, Machine Learning, Digital Twins, IoT e Agentic AI. A nossa missão é transformar tecnologia avançada em soluções práticas que ajudem as organizações a melhorar as suas operações, tomar melhores decisões e avançar na sua transformação digital.
A N.0 trabalha em áreas como Inteligência Artificial, Visão Computacional, Machine Learning, IoT e Digital Twins. Como se complementam estas tecnologias para responder aos desafios atuais da indústria e das organizações?
R: Estas tecnologias complementam-se ao criar uma ligação entre o mundo físico e o digital. O IoT recolhe dados através de sensores, enquanto a Visão Computacional permite que os sistemas interpretem visualmente o que acontece na operação, identificando, por exemplo, produtos, defeitos, situações de risco ou padrões operacionais. Os Digital Twins contextualizam toda esta informação e a Inteligência Artificial e o Machine Learning permitem identificar padrões, antecipar problemas e apoiar decisões. Quando integradas, estas tecnologias permitem construir operações progressivamente mais inteligentes, eficientes e autónomas.
Os Digital Twins têm vindo a afirmar-se como uma das tecnologias mais relevantes da Indústria 4.0. Como explicariam este conceito a quem ainda não está familiarizado com ele e que valor acrescenta às empresas?
R: Um Digital Twin é uma representação digital dinâmica de um sistema real, como uma máquina, uma fábrica, uma cadeia logística ou até uma cidade. Ao integrar dados da operação, permite acompanhar o que está a acontecer, testar cenários e antecipar problemas. O seu grande valor está em proporcionar uma visão integrada da realidade e permitir decisões mais rápidas e fundamentadas.
A plataforma opTwin.0 integra dados provenientes de sensores, câmaras, ERPs e outros sistemas para criar uma visão integrada das operações. Como é que esta abordagem ajuda as empresas a tomar decisões mais rápidas e informadas?
R: Muitas empresas têm uma enorme quantidade de dados, mas estes encontram-se dispersos por diferentes sistemas. O opTwin.0 procura quebrar essas barreiras, integrando informação proveniente de sensores, sistemas de visão inteligente, ERPs e outras fontes. Desta forma, conseguimos combinar aquilo que os sistemas já sabem sobre a operação com aquilo que as câmaras e sensores conseguem observar em tempo real, criando uma visão integrada que permite identificar problemas e tomar decisões de forma mais rápida e informada.
Qual é o papel da Inteligência Artificial neste processo? De que forma contribui para antecipar problemas, otimizar recursos e apoiar a tomada de decisão?
R: A Inteligência Artificial transforma dados em conhecimento útil para a operação. Através de Machine Learning e visão computacional, podemos identificar padrões e anomalias, antecipar falhas, inspecionar automaticamente a qualidade de produtos, monitorizar processos e otimizar recursos. O objetivo é evoluir de uma gestão essencialmente reativa para uma gestão cada vez mais preditiva e proativa, em que as equipas conseguem agir antes de os problemas terem um impacto significativo na operação.
Cada vez mais se fala em decisões baseadas em dados. Na vossa perspetiva, quais são os maiores desafios que as empresas ainda enfrentam para transformar dados em conhecimento e ação?
R: O maior desafio já não é apenas recolher dados, mas conseguir integrá-los, contextualizá-los e transformá-los em ações concretas. Muitas organizações possuem grandes volumes de informação, mas distribuídos por diferentes sistemas e departamentos. O verdadeiro valor surge quando conseguimos ligar dados, conhecimento e decisão, disponibilizando a informação certa, à pessoa certa e no momento certo.
Ao longo dos projetos desenvolvidos, quais têm sido os resultados ou impactos que mais vos surpreenderam junto dos clientes?
R: Um dos aspetos mais interessantes tem sido perceber que grandes impactos podem surgir simplesmente ao tornar acessível e acionável conhecimento que já existia dentro das organizações. Ao ligar dados, documentos, históricos e experiência operacional, é possível reduzir tarefas repetitivas, acelerar o acesso à informação e identificar oportunidades de melhoria que anteriormente não eram evidentes.
A vossa tecnologia pode ser aplicada em diferentes setores, desde a indústria às Smart Cities. Que potencial identificam para esta transversalidade e quais os setores onde acreditam que veremos uma maior transformação nos próximos anos?
R: Sempre que existe uma operação complexa, múltiplas fontes de dados e decisões que precisam de ser tomadas rapidamente, existe potencial para estas tecnologias. Na indústria, vemos uma enorme oportunidade na aplicação de visão computacional ao controlo de qualidade, segurança e monitorização de processos, combinada com IA e Digital Twins. Mas vemos também grande potencial em áreas como energia, infraestruturas, logística, saúde e Smart Cities, onde câmaras, sensores e sistemas existentes podem ser transformados em fontes de informação para uma gestão mais inteligente.
Estamos a caminhar para operações cada vez mais autónomas, inteligentes e preditivas. Como imaginam as empresas e as fábricas daqui a cinco ou dez anos?
R: Imaginamos organizações onde sistemas inteligentes acompanham continuamente as operações, antecipam problemas e apoiam ou executam determinadas decisões. As pessoas continuarão a ser fundamentais, mas estarão cada vez menos focadas em procurar informação e executar tarefas repetitivas e mais concentradas na supervisão, estratégia e decisões de maior valor.
Nos últimos meses, muito se tem falado em Agentic AI, uma nova geração de Inteligência Artificial capaz de compreender objetivos, tomar decisões e executar tarefas de forma autónoma. Como perspetivam esta evolução e de que forma acreditam que poderá complementar tecnologias como os Digital Twins na gestão inteligente de operações?
R: Acreditamos que a convergência entre Agentic AI e Digital Twins terá um papel importante no futuro das operações. O Digital Twin permite compreender e contextualizar o estado da operação, enquanto agentes de IA podem utilizar esse conhecimento para planear e executar ações. Estamos, assim, a evoluir de sistemas que apenas monitorizam e analisam para sistemas capazes de compreender, recomendar e, dentro de limites definidos, agir.
Que mensagem gostariam de deixar às organizações que estão a iniciar a sua jornada de transformação digital e que ainda olham para a Inteligência Artificial, os Digital Twins ou mesmo a Agentic AI como tecnologias distantes?
R: Estas tecnologias já não são algo distante nem exclusivo das grandes organizações. É possível começar por um problema concreto, desenvolver um projeto-piloto, medir o impacto e evoluir progressivamente. Na N.0, acreditamos que a transformação digital deve começar pelo desafio da organização e não pela tecnologia: primeiro compreender onde existe valor e depois aplicar a solução adequada.
Que próximos desafios ou desenvolvimentos podemos esperar da N.0 Tecnologia nos próximos meses? Há novos projetos ou áreas tecnológicas que gostariam de destacar?
R: Estamos focados em aprofundar a integração entre Inteligência Artificial, Digital Twins, Visão Computacional e Agentic AI. Uma das áreas em que estamos a investir é precisamente a visão computacional, através do optVision, aplicando IA à inspeção de qualidade, monitorização de processos, segurança e análise automática de operações. Queremos integrar cada vez mais estas capacidades com o opTwin.0 e com agentes de IA, criando sistemas capazes de observar a operação, compreender o seu contexto e transformar essa informação em recomendações e ações concretas.
Nota final
Consulte mais informação sobre a N.0 Tecnologia aqui: https://www.n0.pt/
Conclusão
Ao longo desta conversa, fica claro que o futuro da indústria passa pela integração inteligente de dados, pessoas e tecnologia. Para a N.0 Tecnologia, a Inteligência Artificial, os Digital Twins, a Visão Computacional e a Agentic AI não representam apenas tendências tecnológicas, mas ferramentas concretas para aumentar a eficiência, antecipar desafios e apoiar uma tomada de decisão mais informada. Com uma abordagem centrada nos problemas reais das organizações, a empresa continua a desenvolver soluções que aproximam o potencial da inovação das necessidades do mercado, contribuindo para uma transformação digital cada vez mais inteligente, preditiva e sustentável.