Evento destacou soluções concretas em dados, inovação, test beds, investimento e segurança, reforçando o papel estratégico da região na transformação da economia do mar.
Mais de 90 presenças reuniram-se no Museu Marítimo de Ílhavo, no evento “Azul Digital – Soluções Digitais para a Economia Azul”, consolidando a Região de Aveiro como um dos principais pólos nacionais na digitalização da economia do mar.
A iniciativa juntou empresas, academia e entidades públicas, evidenciando soluções concretas já no terreno, desde plataformas digitais e gestão de dados até infraestruturas de teste e modelos de financiamento, que estão a transformar o setor.
“Aveiro tem hoje condições únicas para testar, validar e escalar soluções na economia azul, afirmando-se como um verdadeiro laboratório vivo”, destacou Paulo Marques, da Inova-Ria.
Sessão de abertura reforça posicionamento estratégico da região
A sessão de abertura contou com intervenções de Maria Eugénia Pinheiro (Município de Ílhavo), Teresa Cardoso (Administração dos Portos de Aveiro e Figueira da Foz), Paulo Marques (Inova-Ria) e Carlos Pinho (Fórum Oceano), que destacaram a relevância estratégica da economia azul e o posicionamento da região como um verdadeiro laboratório de inovação.
Foi ainda evidenciado o papel do Portugal Blue Digital Hub como motor da transformação digital do setor, assente em plataformas tecnológicas, capacitação, test beds e investimento.
Painel 1: Portefólio de Soluções Portugal Blue Digital Hub
O primeiro painel reuniu especialistas de diferentes áreas para apresentar soluções estruturantes:
- Gisela Sousa (Fórum Oceano) apresentou a transformação digital da plataforma Nautical Portugal, destacando a evolução do turismo náutico para um modelo digital integrado – https://www.nauticalportugal.com/
- Beatriz Vieite (Universidade de Aveiro) e Maria Luís Bôto (CIIMAR) apresentaram a plataforma Blue Biobanks, que centraliza dados sobre recursos biológicos marinhos (https://bluebiobanks.ciimar.up.pt/pt)
- Telmo Dias (Instituto Hidrográfico) apresentou o Centro Nacional de Dados Oceanográficos (NODC-PT), reforçando o papel crítico da gestão e interoperabilidade dos dados – https://nodc-portugal.pt/
Este painel evidenciou o papel dos dados, plataformas digitais e interoperabilidade como pilares fundamentais para a criação de valor na economia azul.
Painel 2: Test beds, inovação e investimento
O segundo painel destacou infraestruturas e instrumentos que permitem acelerar a inovação:
- Mariana Pita (PCI – Creative Science Park) e Catarina Lemos (Universidade de Aveiro / CEiiA) apresentaram a ASCS Test Bed, uma infraestrutura que permite testar soluções em ambiente real, integrando cidade, porto e mar
- Eduardo Feio (Universidade de Aveiro) apresentou a Zona Livre Tecnológica de Aveiro (ZLT), reforçando a capacidade de experimentação em múltiplos ambientes e a aceleração do ciclo “protótipo → mercado”
- Francisco Silva (Goparity) apresentou soluções de financiamento colaborativo e de impacto, evidenciando o papel do investimento na escalabilidade de projetos da economia azul – https://goparity.com/pt
Mesa redonda debate desafios e futuro da economia azul
A mesa-redonda, moderada por Rodrigo Oliveira (Fórum Oceano), reuniu:
- Pedro Almeida ( Câmara Municipal de Aveiro)
- Luís Menezes Pinheiro (Universidade de Aveiro; CP-COI – Comité Português para a Comissão Oceanográfica Intergovernamental e Década do Oceano)
- Miguel Santos (IPMA – Instituto Português do Mar e da Atmosfera)
- Davide Ricardo (Inova-Ria)
- Miguel Faria (Capitania do Porto de Aveiro)
O debate centrou-se nos principais desafios do setor, com destaque para:
- Captação de investimento e projetos internacionais
- Segurança e resiliência das operações marítimas
- Gestão, valorização e utilização estratégica dos dados
- Capacitação de talento e requalificação
- Conectividade e comunidades costeiras resilientes
“O verdadeiro desafio é garantir que este trabalho continue e ganhe escala, independentemente dos ciclos de financiamento”, concluiu Rodrigo Oliveira, do Fórum Oceano.
Principais conclusões
- O evento reforçou o posicionamento de Aveiro como um referência experimental de referência na economia azul, onde tecnologia, ciência e indústria convergem para criar soluções com impacto real.
- A integração e valorização dos dados são fundamentais para suportar decisões informadas, potenciar a inovação e aumentar a eficiência operacional
- As infraestruturas de teste e experimentação (test beds e ZLTs) são críticas para acelerar o desenvolvimento tecnológico e reduzir o risco na adoção de soluções e a ZLT de Aveiro diferencia-se por isso mesmo
- O financiamento e investimento assumem um papel determinante na escalabilidade das soluções e na sua chegada ao mercado
- A segurança e defesa emergem como dimensões estratégicas da economia azul, nomeadamente ao nível da monitorização, proteção de infraestruturas críticas, resiliência face a cenários adversos e soberania tecnológica
- A capacitação de talento e a requalificação de competências, incluindo na área de dados e tecnologias digitais, são essenciais para sustentar o crescimento do setor
- A colaboração entre entidades públicas, privadas e científicas é um dos principais motores de desenvolvimento da Economia Azul
- O principal desafio passa por garantir continuidade, escala e sustentabilidade das iniciativas, reduzindo a dependência de ciclos de financiamento.
A Inova-Ria continua a reforçar o seu papel enquanto dinamizadora do ecossistema tecnológico, promovendo a colaboração entre empresas, academia e entidades públicas para acelerar a transformação digital da economia azul em Portugal.


