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Inova-Ria promove Aula Aberta sobre Circularidade na Eletrónica, na Universidade de Aveiro
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A Inova-Ria promoveu uma Aula Aberta dedicada ao tema “Circularidade na Eletrónica”, no Departamento de Matemática da Universidade de Aveiro, que contou com a participação de mais de 20 alunos de Engenharia Física.

A iniciativa enquadra-se na participação da Associação na feira de emprego “Para Além da Engenharia”, onde marcará presença no próximo 25 de fevereiro, no Departamento de Física da Universidade de Aveiro, com o objetivo de captar talento qualificado para o seu ecossistema empresarial e para as oportunidades existentes na rede de inovação.

Esta Aula Aberta integra a missão da Inova-Ria de promover a transferência de conhecimento e tecnologia, aproximando estudantes, academia e empresas, e reforçando a ligação entre formação científica e aplicação industrial.

Mais consumo, mais resíduos, maior pressão ambiental

A sessão começou por enquadrar o problema à escala global. O crescimento exponencial do consumo de dispositivos eletrónicos, como smartphones, laptops e equipamentos IoT, está a acelerar a produção de resíduos eletrónicos a um ritmo superior à sua reciclagem.

O modelo linear dominante: extração, produção, distribuição, consumo e desperdício,  gera:

  • Pressão crescente sobre matérias-primas críticas (lítio, cobalto, níquel e terras raras);
  • Impactos ambientais associados à extração intensiva;
  • Exportação ilegal de resíduos para países com menor capacidade de fiscalização.

Este cenário evidencia a necessidade de uma transição estrutural para modelos de economia circular.

Circularidade na eletrónica: do design ao modelo de negócio

Foi debatido o atual paradigma da indústria eletrónica, onde muitos equipamentos apresentam menor longevidade e são concebidos com dificuldade de desmontagem e reparação. A obsolescência prematura exige uma transformação estrutural assente em três pilares:

  • Design modular e desmontável, facilitando a substituição de componentes;
  • Integração da reparabilidade desde a fase de conceção;
  • Modelos de negócio orientados para prolongar o ciclo de vida dos produtos.

A circularidade foi apresentada como um modelo sistémico que procura manter equipamentos, componentes e materiais em uso pelo maior tempo possível, através de design durável, reparação, reutilização, recondicionamento e reciclagem com rastreabilidade.

Foi sublinhado que design e modelo de negócio são interdependentes: sem incentivos económicos, o design circular não se viabiliza; sem design adequado, o modelo circular perde eficiência.

Modelos circulares em prática

Entre os exemplos apresentados destacam-se:

  • Produto como serviço (leasing), particularmente relevante no setor das telecomunicações;
  • Programas de retoma e reutilização;
  • Recondicionamento profissional com certificação e garantia.

Foi evidenciado o trabalho da TRC, empresa especializada em inspeção, teste, reparação, limpeza e revenda de equipamentos, que mantém alguns dispositivos há mais de 15 anos em circulação, com múltiplas intervenções técnicas ao longo do tempo.

Enquadramento europeu: da voluntariedade à obrigação

A sessão abordou ainda o impacto do quadro regulatório europeu, nomeadamente:

  • Pacto Ecológico Europeu;
  • Plano de Ação para a Economia Circular;
  • Estratégia para Produtos Sustentáveis.

Foram referidas iniciativas estruturantes como a Diretiva WEEE (gestão de resíduos de equipamentos elétricos e eletrónicos), o Right to Repair, formalmente adotado em 2024, que reforça o direito à reparação e a disponibilidade prolongada de peças, e o futuro Passaporte Digital do Produto, que reunirá informação sobre composição material, origem, pegada ambiental e reparabilidade.

A conclusão é inequívoca: a circularidade na eletrónica deixou de ser opcional e passou a estar integrada nas exigências de design, produção e transparência.

Engenharia aplicada: reparação avançada e automação

A componente técnica da sessão centrou-se na engenharia de reparação avançada, orientada para a extensão do ciclo de vida dos equipamentos através de:

  • Centros de reparação especializados;
  • Serviços técnicos em campo;
  • Plataformas automáticas de teste.

Foram apresentados diferentes níveis de intervenção técnica:

  • Nível 0 – Reconfiguração e upgrade de firmware e software;
  • Nível 1 – Substituição de conectores, componentes passivos e elementos mecânicos;
  • Nível 2 – Substituição de componentes ativos, como circuitos integrados standards, módulos eletrónicos e displays;
  • Nível 3 – Intervenções avançadas em ASICs, processadores e encapsulamentos complexos (BGA e QFP).

Os processos incluem ainda recondicionamento estético, higienização (incluindo requisitos da área médica), kitting e embalagem, permitindo a reinjeção no mercado com garantia.

Para grandes volumes, são utilizadas plataformas automáticas de teste que asseguram maior rapidez, fiabilidade e uniformização de critérios, reduzindo falsos diagnósticos e tempos de reparação. A disponibilização de acesso online aos dados de teste reforça a rastreabilidade e a transparência perante os clientes.

Sensibilização para uma área estratégica

A Aula Aberta permitiu sensibilizar os estudantes para a importância estratégica da circularidade, especialmente no contexto do desenvolvimento de projetos que envolvem múltiplas PCBs e componentes eletrónicos, frequentemente sem uma estratégia clara de fim de vida.

Ao promover esta iniciativa, a Inova-Ria reforça o seu compromisso com a transferência de conhecimento e tecnologia, preparando talento qualificado para desafios como sustentabilidade industrial, digitalização de processos, reparação avançada e conformidade regulatória europeia.

A presença na feira “Para Além da Engenharia”, a 25 de fevereiro, dará continuidade a esta aproximação, criando oportunidades concretas de integração no ecossistema empresarial da rede Inova-Ria e consolidando a ponte entre academia e indústria.

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